Cinema
Documentário - ABC da Greve
Sex, 08 de Julho de 2011 12:19

Título original:ABC Da Greve
Gênero:Documentário
Duração:75 min.
Lançamento (Brasil):1979/90
Direção:Leon Hirszman
Narração: Ferreira Gullar


A greve é um instrumento legítimo da luta e um direito dos trabalhadores garantidos pela constituição de 1988, mais nem sempre foi assim, e o documentário ABC da Greve nos mostra o que aconteceu na região do ABC paulista durante a ditadura militar, período negro da história brasileira.


O filme trata das grandes greves da classe operária que aconteceram na região do ABC paulista a partir de 1978, mostra a trajetória do movimento de 150 mil metalúrgicos em luta por salários dignos e melhores condições de vida, mostrando o contexto do regime naqueles anos e a organização de movimentos contra a exploração capitalista.


ABC da greve é um documentário que mostra a classe operária em movimento de confronto contra os empresários e a repressão do regime militar, momento do aumento da consciência de classe que levara os trabalhadores até as últimas conseqüências mesmo após a prisão e cassação dos principais líderes do movimento.


Entre os líderes do movimento grevista estava o ex-presidente Lula como um dos protagonistas, mas o documentário não mostra sua vida em particular, a voz é dada, sobretudo aos operários anônimos que fazem coro em assembléias diante dos desmandos e da sede de lucro dos patrões e empresários.


Sem obter êxito em suas reivindicações, decidem-se pela greve, afrontando o governo militar. Este responde com uma intervenção no sindicato da categoria. Mobilizando numeroso contingente policial, o governo inicia uma grande operação de repressão. Sem espaço para realizar suas assembléias, os trabalhadores são acolhidos pela igreja. Passados 45 dias, patrões e empregados chegam a um acordo. Mas o movimento sindical nunca mais foi o mesmo.


Roberto Xavier

Professor de Arte-Educação e Música da rede estadual do Ceará e militante do Movimento Luta de Classes - MLC/CE.

 
[CINEMA] A verdade sobre a crise
Ter, 26 de Abril de 2011 21:54


 

 

A crise econômica global custou a milhões suas economias, seus empregos e suas casas. Assim é introduzido Inside Job (Trabalho Interno/A Verdade sobre a Crise) filme de Charles Ferguson que foi eleito o melhor documentário de 2010 pela Academia.

Seu mérito se deve ao fato de que ao longo de todo o documentário fica claro como a economia foi desregulamentada durante anos, com o propósito de ampliar desmedidamente os lucros de banqueiros e especuladores. A regulamentação, as regras de comportamento do setor financeiro, vigorava há séculos preservando a economia de eventuais excessos por parte de indivíduos gananciosos. Entretanto, o poder econômico do setor aliado a sua crescente influência no quadro político de diversos países, seja financiando campanhas milionárias, seja assumindo postos importantes no governo, fez com que eles próprios ditassem as regras. Algum tempo depois.... Crise econômica global.

Diferente do que é propagado, as crises não acontecem por acaso, não são acidentes de percurso, são a conseqüência exata de uma indústria fora de controle, na qual os grandes monopólios resolvem o que e quanto vão produzir em quaisquer adequações às necessidades da população. Soma-se a isso a ascensão do capital financeiro, causando crises constantes e cada vez maiores.

E porque a sociedade aceita como correta a desregulamentação ou mais adiante, essa indústria fora de controle? É precisamente nesse momento que entram em cena os ilustres professores e doutores das mais respeitadas Universidades do mundo. Muito bem pagos por executivos (acionistas de grandes empresas), eles escrevem relatórios, publicam livros, elaboram teoremas, expressam opiniões na imprensa para legitimar o reinado de alguns sobre a miséria da maioria.

Os trabalhadores brasileiros não estão fora desse contexto: vemos em nosso cotidiano o desemprego, a alta dos preços, corte de gastos públicos, a repressão aos movimentos sociais, medidas estas que são produto autêntico da crise iniciada em 2008.

Logo, quando alguém disser que ‘nós precisamos deles (os capitalistas), pois fazem algo muito complicado para entendermos ’ saberemos que não passa de uma fantasia criada para nos conformarmos com o atual estado de coisas – uma realidade onde dezenas de magnatas decidem a sorte de bilhões de pessoas do planeta.

 

 

Colunista convidado

Alexandre Felix, militante do PCR

 
[CINEMA] Norma Rae, Inspiração de Luta
Qua, 23 de Março de 2011 16:09
Norma Rae

Título original: (Norma Rae)

Lançamento: 1979 (EUA)

Direção: Martin Ritt

Atores: Sally Field, Beau Bridges, Ron Leibman, Pat Hingle.

Duração: 114 min.

Gênero: Drama


O filme Norma Rae é baseado na história real de Cristal Lee Sutton, que liderou a luta contra as condições de trabalho pela empresa J.P. Stevens Mill. Foi uma mulher corajosa que fundou um sindicato no sul dos Estados Unidos, servindo de inspiração, em especial para as mulheres que começaram a fazer suas próprias campanhas depois de aprender com o seu exemplo.


Sendo inspiração para o filme que ganhou o Oscar de 1979, seguimos com os comentários sobre o filme. No ano de 78 numa pequena cidade do Sul dos Estados Unidos, a maioria da classe operária trabalha para uma indústria têxtil, cujas condições de trabalho são intoleráveis: salários baixos, carga horária alta e o mínimo de condições de segurança e saúde.  Acomodados, eles preferem afogar suas mágoas num copo de cerveja a se unirem contra esse estado de coisas, como acontece ainda hoje quando os operários não estão organizados em sindicatos revolucionários.


http://www.cinemapolitica.org/files/cinemapolitica/pastfilms/norma_rae_union.jpgLá também trabalha Norma Rae (Sally Field, atriz do seriado norte-americano Brothers and Sisters), uma mãe solteira que vive com os pais, que também são operários da fábrica.  De repente, vindo de Nova York, chega Reuben Warshowsky (Ron Leibman), um sindicalista que, ao tentar arrumar um quarto em uma família de tecelões, conhece Vernon Wichard (Pat Hingle), o pai de Norma.  Vernon trata Reuben de forma grosseira, assim como a maioria da cidade, pois o anti- sindicalismo é forte na indústria têxtil, o que não o impede de dizer que Vernon é mal pago e está sendo muito explorado.  Essa discussão é vista por Norma.


Pouco tempo depois, ela e Reuben se encontram novamente, primeiro quando ela o vê se hospedando no motel, onde ela foi se encontrar com um namorado, e logo depois, quando ele a socorre após ela ter sofrido uma agressão por ter terminado esse relacionamento. Surge entre os dois uma amizade que cresce com o engajamento de Norma na luta sindical, que se inicia quando ela ouve um discurso de Reuben mostrando as vantagens de serem sindicalizados.

 


Quando os dirigentes da indústria percebem o envolvimento de Norma com o sindicalista, decidem promovê-la numa tentativa de fazer com que ela mude de lado.  Ela percebendo as reais intenções dos dirigentes, não aceita o novo cargo, permanecendo entre os operários.

 

Procurando refazer sua vida afetiva, casa-se com Sonny Webster(Beau Bridges), outro operário da fabrica, que entende sua luta pela criação do sindicato mais, por outro lado, tal fato o deixa bastante inseguro, já que ela passa há trabalhar muito tempo ao lado de Reuben. O filme mostra um pouco da moral comunista, onde mostra sem errar a justeza da sua conduta e assegura uma atitude critica para apreciação das convicções comunistas (cena da cachoeira), assistindo o filme veremos que essa particularidade da moral comunista é representado pelo seu elevado caráter ideológico.


Juntos, Norma e Reuben promovem a solidariedade no local de trabalho ao ensinarem aos operários que, agindo como sindicalizados, podem fazer a luta dentro da indústria, e assim, conseguir melhores condições de trabalho. O filme é uma inspiração para todos os trabalhadores do mundo que mantém a esperança numa sociedade justa e melhor, a sociedade socialista.


Roberto Xavier

MLC-CE

 


Última atualização em Sex, 25 de Março de 2011 00:25
 
O Cinema Soviético
Qua, 02 de Março de 2011 13:21

Lênin foi o primeiro a ver no cinema o mais poderoso meio de comunicação de massas jamais inventado, sendo o cinema soviético um dos responsáveis pela chamada arte-revolucionária. A revolução foi à grande fonte de inspiração de artistas como Serguei Eisenstein e Dziga Vertov que revolucionaram o cinema não só em termos de conteúdo mais no seu aspecto formal, seguido por artistas de outras áreas como: Maiakovsky na poesia e Rodchenko nas artes plásticas entre outros.


Eisenstein em A greve (Stanchka-1924) desenvolveu uma montagem dialética que se inspirou no marxismo-leninismo, dando ao espectador a concepção da luta de classes, não em termos visuais mais em termos conceituais na mente do espectador, mostram-se cenas de um matadouro bovino onde existe a repressão da polícia czarista sobre os operários grevistas. Trata-se de um filme que desencadeia no público a formação da consciência revolucionária, num processo que exige uma participação ativa daquele que a contempla, que é chamado a refletir sobre o conteúdo expresso na tela. Forma-se então a seguinte equação: conteúdo revolucionário + forma revolucionária = ARTE REVOLUCIONÁRIA.


Para Vertov, o caráter revolucionário do cinema se resolve na montagem. O cinema de Vertov proclama o primado da câmera sobre o olho humano, a câmera é o instrumento que organiza a realidade numa perspectiva coerente. É um cinema que recusa toda forma de encenação, se afirmando como uma interpretação revolucionária da realidade. Nesse sentido, considera a ficcionalização da realidade como uma forma de ilusão, de mistificação. O cinema se transforma num instrumento dialético não apenas de interpretação, mas de transformação revolucionária da humanidade. É o olho mecânico que organiza a realidade, que força o espectador, antes passivo, a converte-se em sujeito histórico da sua própria libertação.


Finalizando esta parte da coluna arte do cinema, concluímos que o cinema revolucionário é aquele que apresenta perspectivas não só estéticas da forma mais responde de maneira transformadora e libertadora as questões do contexto histórico que enfrenta. Viva o cinema russo, viva o movimento luta de classes!

 


 

 
O cinema como meio de agitação e propaganda
Sáb, 19 de Fevereiro de 2011 12:40

 Cinema e propaganda É com muito prazer que inicio este trabalho como colunista do nosso site do Movimento Luta de Classes – MLC. Surge também um novo desafio que é escrever para classe operária sobre filmes, tirando aquela velha idéia de que os filmes podem ser considerados apenas como diversão ou arte, ou eventualmente ambos. Precisamos reconhecer que os filmes refletem as sociedades e sua política, tendo um conteúdo político consciente ou inconsciente escondido ou declarado.


O cinema apresenta temas como o poder social e suas transformações, a indústria cinematográfica capitalista é conservadora e oposta ao cinema político, sendo contrária aos interesses da classe operária. Podemos observar que embora o cinema capitalista pareça inocente, reflete sempre o preconceito, a exemplo de filmes do faroeste estadunidense, tentando justificar de forma subconsciente o extermínio de índios, propondo a superioridade de brancos ou em filmes de espiões e agentes secretos, onde os “maus” são representados por chineses, vietnamitas, sul americanos e agora os povos islâmicos, tentando justificar as guerras provocadas pelo sistema capitalista e imperialista dos Estados Unidos.


Na antiga União Soviética o cinema apresentou-se como um grande meio de agitação e propaganda durante e após a revolução de Outubro de 1917. O cinema serviu para consolidar o sistema socialista, fazendo a retrospectiva da vitória da classe trabalhadora sobre seus opressores e inimigos de classe, sendo seus temas principais a revolução e a luta contra a contra revolução, os atos infames dos burgueses czaristas contra o proletariado, os crimes do capitalismo e a revolta do povo.


Durante a revolução proletária foi criado os chamados agitki (filmes curtos de agitação), destinados aos “trens de propaganda” que percorriam as províncias e visitavam as frentes onde estavam os soldados da revolução. Ficando este o exemplo de agitação e propaganda que o cinema russo nos trouxe, nos mostrando o caminho e a necessidade de fazermos veículos de conscientização das massas, através de filmes revolucionários para construirmos a revolução socialista brasileira.


Na próxima postagem falarei sobre alguns filmes de autores russos, até lá.



Roberto Xavier

Professor- MLC/CE

Última atualização em Sáb, 19 de Fevereiro de 2011 13:23
 
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